segunda-feira, janeiro 22, 2007

Leituras FDS #1 - Virgin´s Trip

Esta rubrica vai propor aos visitantes do blog uma sugestão de leitura para o fim-de-semana. Os títulos recomendados serão sempre livros já lidos por mim, para que sejam diferenciados das outras matérias divulgadas, pois nem sempre dá tempo para ler tudo. Lanço também o desafio a quem tenha um blog sobre BD, e que, porventura visite o 9ª Arte, que divulgue esta ideia/sugestão no seu espaço, contribuindo para uma maior adesão à leitura de BD. Se puderem passar a palavra fico muito grato.

Este era o mote de abertura para uma rubrica que durante meses andou esquecida. Esteve praticamente extinta, pois tinha-me esquecido completamente da sua existência. Para marcar o seu regresso, nada melhor que Banda Desenhada nacional.


É sempre gratificante terminar a leitura de um bom livro. Faz-nos querer voltar a lê-lo vezes sem conta. Virgin´s Trip pode ter essa componente aliciante a seu favor. Livro de leitura relativamente rápida (a estória divide-se em 4 pequenos capítulos), não perde, muito pelo contrário, a sua complexidade narrativa. Escrito de forma inteligente, somos transportados para uma realidade que provavelmente não estará assim tão distante (de referir para quem nunca contactou com o livro, que este está totalmente escrito em inglês, retrovertido do português). Pelo menos no que diz respeito a mentalidades o meio não foge muito à regra. Surgido da mente de uns quantos senhores (Pepedelrey, JCoelho, Rui Gamito e Rui Lacas), é uma obra que precisa ser lida com alguma atenção, pois foge ao cliché da facilidade de compreensão instantânea que caracteriza muita coisa que por aí circula. Quero com isto dizer que é daqueles livros ao qual convém despender totalmente o tempo a que nos comprometemos para a sua leitura, sem dispersões, sem televisão ligada a trautear flashadas nauseabundas, sem ficar constantemente a olhar para as horas, sem estar com pressa de ir à rua passear o cão, mesmo sabendo que durante a sua curta existência este é o nosso eterno companheiro (programem a passeata para algum momento anterior ao da leitura).

Referindo companheirismo, é disso que o título trata, abordando questões várias, levando-nos a entender e mostrando-nos que por muitas mulheres que existam, no fundo o que perdura são as amizades. Fala-nos também de virgens que não o são, mas que as há, há. Bonecas cibernéticas, naves que se pilotam como se fosse sempre a primeira vez na vida (aqui sim, o conceito de virgindade e transformação final), seres de todos os cantos da galáxia que se encontram ao fim do dia, tarde ou noite para uma boa sessão de copos (como o mais comum dos mortais já vivenciou). Os diálogos são ricos e aprazíveis de ler. A organização e disposição dos elementos artísticos é arrojada, pois cada página comporta apenas uma só prancha, criando uma experiência diferente ao leitor, deixando que cada página seja individualizável e que tenha vida própria, sem nunca ser indissociável das restantes. Se não estamos perante uma raridade, tenho de classificar o acto desta publicação, no mínimo como digno de registo para a posteridade. Virgin´s Trip quebra paradigmas de narração, de composição, de aposta num mercado, que quanto a mim parece estreitar-se cada vez mais, sem fugir ao seu ideal, ao seu corpo e alma própria e que lhe estão embutidos, conquistando um lugar de destaque nas publicações de 2006. Dou-lhe nota alta pela qualidade inerente à obra, pela sua versatilidade. Sem dúvida um dos livros de Banda Desenhada nacional do ano transacto. Bem dita 4ª Feira Laica, onde pude adquirir o meu exemplar. Parabéns à rapaziada!
Uma pequena curiosidade que se prende com o tipo de abordagem à cor e traço utilizados ao longo de Virgin´s Trip. Num livro que li recentemente, “Mort Grim” de Doug Fraser, estas duas componentes são muito semelhantes, principalmente pelos tons amarelados e escala de cinzas, que no título português são mais carregados pelo tipo de ambiente em que se passa a acção. Se por ventura tiverem possibilidade, leiam-no também. No mínimo interessante.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

sexta-feira, janeiro 19, 2007

PIC(K) OF THE WEEK #11


Dave Devris: Hulk


Mauro Bex : maurobindo

Morgul Lord

Mais uma estátua já extinta da inteira responsabilidade da Sideshow, o Morgul Lord, Witch-King of Angmar. É dito que não perecerá pela mão de nenhum homem mortal.



A Good´N´Evil conseguiu desencantar um exemplar perdido num qualquer armazém. Será esta a minha sina?


Mauro Bex : maurobindo

terça-feira, janeiro 16, 2007

IRON MAN: o filme


Com estreia prevista para dia 2 de Maio de 2008, muito caminho ainda há a percorrer para que tenhamos algo mais concreto sobre este filme. Certezas até ao momento, a de que Robert Downey Jr. será Tony Stark e Jon Favreau o realizador. Deixo aos admiradores e seguidores desta personagem um primeiro esboço do que será o cartaz desta adaptação à 7ª arte. A casa das ideias anda muito em alta.


Mauro Bex : maurobindo

Banda Desenhada & Saúde


Nunca é demais referir casos como este, pois são exemplos de como a Banda Desenhada pode ter várias facetas e utilidades. Neste caso concreto, a visada é a Saúde, informando e dando apoio aos cidadãos dos states, mais precisamente da cidade de São Francisco. Deixo-vos uma pequena amostra dessa informação com o respectivo link para o sempre actualizado BDesenhada.com.

Um estudo recente demonstrou que a campanha norte-americana Pénis saudáveis reduziu os casos de sífilis na comunidade homo e bissexual de São Francisco.
(Leia a nootícia na sua totalidade aqui.)
(Notícia mais completa na PLoS Medicine)


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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Históricos do 9ª #0: CONAN


Este personagem vai fazer as honras da casa, sendo o 1º escolhido para inaugurar a rubrica “Históricos do 9ª”. Como já repararam falo de Conan, figura mítica (convém, pois caso contrário não teria feito parte dos possíveis candidatos a constar aqui) do mundo Fantástico, que depois de percorrer o universo literário, acabou sendo representado em Banda Desenhada, cinema e séries de TV. Avancemos então com algumas curiosidades do seu percurso histórico.
Criado por Robert E. Howard, Conan foi publicado pela primeira vez em Dezembro de 1932, com o título “The Phoenix on the Sword”, na conceituada revista Weird Tales. Howard, durante a sua curta vida (1906-1936) imortalizou várias personagens, entre elas King Kull, Salomão Kane e Red Sonya (não confundir com Red Sonja, criada em 1974 por Roy Thomas; leia aqui a propósito), mas foi sem dúvida o Bárbaro que recebeu maior aceitação por parte do público, sendo hoje uma das principais referências masculinas do género Fantástico, muito por culpa do filme de 1982 “Conan – O Bárbaro”. Ao referirmos Conan, automaticamente nos é trazido à memória a imagem do agora Senador da Califórnia. Logo, está mais que provado que o Cimério é uma figura histórica que faz parte do imaginário de muito boa gente.

Mas e então na BD? Bem, o percurso nesta área começa por volta de 1970. Nessa época foi a Marvel quem apostou neste herói, com a dupla Roy Thomas (enredo) e Barry Smith (arte) à frente da série, que se manteve no activo durante 275 números (até 1993)! Abriu-se assim uma nova porta e muitos foram os artistas e colaboradores que se conheceram até ao término desta aventura. Mas estes dois primeiros senhores foram quem deu o impulso inicial a Conan para um novo público, os amantes da 9ª arte. Mais tarde John Buscema assumiu o comando artístico da série, catapultando-a e fazendo disparar as vendas de Conan pelo toque selvagem que deu à personagem. Este foi provavelmente o artista que mais trabalhou o Bárbaro no mundo da BD. É bem notório nas imagens anexas, a diferença entre o traço de Buscema e o de Barry Smith. Um traço mais forte, marcante e carregado no 1º artista, enquanto o 2º o representava de forma mais sinuosa, subtil, com um certo ar de magia demasiadamente vincada.

Findada a antiga série dos anos 70, que como já referi se estendeu até 1993 (23 anos), a Marvel, que era a detentora dos direitos de Conan, fez mais algumas apostas para o ano de 1994: “Conan Classic” (de Junho de ´94 até Abril de ´95) e “Conan” (a chamada série de 1995) que se prolongou desde Agosto de ´94 até Junho de ´96. Parece que o sucesso não foi o esperado, daí nenhuma das duas séries ter tido uma duração extensa, pois não chegaram a durar 2 anos. Mas pelo meio foram surgindo muitas outras, sempre pela mão da casa das ideias, como por exemplo “Conan The Adventurer”, “Conan Saga”, “Conan The King” e alguns arcos especiais tais como “Conan The Barbarian - Movie Special”, “Conan The Destroyer”, “Conan vs. Rune” e a derradeira publicação da Marvel “Conan: Flame and the Fiend” de 2000, que contou apenas com 3 números.

Seguiu-se depois um interregno de 4 anos, uma espécie de limbo para Conan, sem se saber quando voltaria a existir uma editora disposta a adquirir os direitos necessários para uma publicação regular. Chegado o ano de 2003 a Dark Horse Comics (DH) e a Conan Properties International anunciavam o que muitos esperavam há anos. Em Março de 2004 arrancaria uma nova história baseada na personagem criada por Howard, adaptada a partir dos contos já existentes. Para equipa criativa foram seleccionados Kurt Busiek (argumento/adaptação) e Cary Nord (desenho), de forma a dar novamente vida ao herói, trazendo Conan ao conhecimento de um público mais jovem, mais moderno, décadas depois das histórias de Howard terem nascido, dando a estas um tratamento mais do que merecido, após alguns anos de incertezas. O facto de a DH ter “pegado” na personagem, cedo deu os seus frutos. Como iniciativa, e de maneira a cativar novos leitores e a trazer os antigos fãs de volta às leituras desta personagem épica, a editora publicou “Conan #0: Conan The Legend” com o preço de 0,25$, exactamente o mesmo preço aquando da primeira aparição de Conan na revista Weird Tales, em Dezembro de 1932. Este número é um prelúdio à série regular que a partir daí ganhou embalagem, continuando de vento em popa até ao dia de hoje com “Conan #35”. De referir também que este issue #0 ganhou em 2004 um prémio Eisner para “Best Single Issue”. Antes de terminar, quero agradecer à DH por ter publicado já 11 compilações (os famosos TPB´s) dos antigos arcos publicados originalmente pela Marvel, um verdadeiro doce para os amantes da personagem e do género. Fico a aguardar o 12º tomo.

No fim de tudo isto talvez se perguntem se Conan é realmente um histórico da 9ª arte, pois não foi uma personagem criada de raiz neste universo artístico, mas transitou do universo literário para muitas outras formas arte, a Banda Desenhada incluída. No fim de contas, talvez ele o seja para muitos. O sucesso dos comics na DH assim o confirmam. O seu passado na Marvel cimentou Conan como figura ímpar na 9ª arte. Por estes e muitos outros motivos, elegi Conan como o Histórico nº1, aquele que vai trazendo esperança a muitas outras personagens.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Históricos do 9ª #0: CONAN (pré-publicação)


Como espécie de pré-publicação, fica para conhecimento dos visitantes deste espaço que Conan será o primeiro a figurar na galeria dos Históricos. O texto está quase concluído. Basta aguardarem mais um pouco, pois está para breve. Aí perceberão o porquê desta escolha. Até breve.
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

quarta-feira, dezembro 27, 2006

McFarlane Dragons Series 5: The Fall Of The Dragon Kingdom

Mais Dragões! Mais houvessem, mais se falaria disso aqui. McFarlane volta à carga com esta nova série, a 5ª, que por outro lado anuncia o princípio do fim. Seguindo a lógica, e pelo número de clãs existentes, diria que o término desta série está para breve, aquando da saída da 6ª. Quem sabe se o futuro nos reservará algumas surpresas. Assim o espero, pois o detalhe e qualidade destas figuras está cima da média. Até ao momento a McFarlane tem optado por lançar em cada uma das séries uma figura deluxe, uma espécie de bónus para os admiradores e apreciadores de Dragões. Esse exemplar é sempre um pouco maior do que os restantes, sendo que é retratada uma família por série nessa edição especial (neste caso o clã Fire). Pouco mais direi, já que o melhor mesmo é olhar para os diferentes clãs, cada um deles com os respectivos links para mais fotografias da mesma estatueta. Fica apenas a faltar a tradicional online feature, a que o site da McFarlane Toys nos habituou e que normalmente vem acompanhada de wallpapers, jogos, etc.; espero que esteja em construção. É aqui, neste momento da história destas figuras, que ficaremos a assistir ao início da praga humana no reino dos Dragões. Estará disponível em Fevereiro de 2007, em Portugal um ou dois meses depois. Uma boa aquisição para aqueles que receberam os €€ da família nesta quadra festiva e têm dúvidas onde os investir.




Komodo Clan Dragon




Sorcerers Clan Dragon








Water Clan Dragon



Fire Clan Dragon
(Deluxe Boxed Set)











Mauro Bex : maurobindo

terça-feira, dezembro 19, 2006

ERAGON: O filme


Senti-me tentado a escrever novamente sobre este assunto, pois já o tinha feito anteriormente neste blog (sobre o livro e divulgando o filme), desta vez por ter finalmente ido ao cinema ver o filme em questão. Escrevo também, por ter lido já algumas coisas sobre o mesmo, concordando com umas, discordando com outras. Mais uma vez, e como sempre, trata-se apenas de uma opinião, a minha.

Sintetizando ao máximo (pois o poder de síntese é algo difícil de conseguir, deixando-nos na maioria das vezes perdidos e a viajar pela maionese, que tão bem nos sabe), vou procurar focar o que me ficou na retina. Primeiro, o filme é demasiadamente curto para fazer jus ao livro, mas nestas questões de adaptações já se sabe, muita coisa se perde, mas outras se conquistam. É por aqui que temos de compreender umas coisinhas, tais como custos de produção e público-alvo. Infelizmente, este filme é direccionado principalmente a um público infanto-juvenil, e aguentar as criancinhas sentadas durante 1h:45m é obra (eu que o diga, pois vi-o acontecer), quando quem leu o livro e conhece a história queria e aguentava 3h à vontade. Mas nem tudo é como se quer, e repito, há que tentar entender o porquê. Penso que a produtora não quis arriscar demasiado, como se verificou nos casos de “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter”, sequelas já afirmadas e (re) conhecidas do público em geral, com uma legião de fãs pelo mundo inteiro. É aqui que, no meu entender, reside o busílis da questão. Não seria de apostar/arriscar mais nesta produção? Parece que não. Assim sendo, adiante, os fãs que aguentem, pode ser que se este 1º filme for rentável a aposta suba de valor para a sequela.
As consequências desta decisão fazem-se notar, sendo evidente a falta de desenvolvimento e aprofundamento no treino de Eragon dado por Brom (essencial no decorrer de toda a trilogia, muito pouco explorado na película), na sua jornada até aos Varden (ultra-mega-rápida), da sua curtíssima estadia em Farthen-Dûr, etc., etc., etc. Fica sempre a sensação de que algo mais se poderia ter passado, pois as próprias personagens que vão surgindo no enredo caem quase que de pára-quedas, ou seja, para quem não leu o livro fica “a apanhar bonés”.
Quanto a representações, pouco tenho a apontar, já que a mestria de Jeremy Irons (Brom) é evidente, catapultando o filme lá para cima. Robert Carlyle (Durza) já o tinha visto em “Trainspotting” e a sua qualidade foi fundamental para uma personagem que está muito bem conseguida. Temos ainda um John Malkovich discreto, o que era de esperar, já que a figura de Galbatorix pouco surge e nada fala durante o livro. Quanto ao estreante Ed Speleers (Eragon), achei-o confiante e com uma tonalidade de voz grave (pouco comum para a sua idade), factor importantíssimo para esta personagem por ser ele o “salvador” deste mundo que é Alagaësia; ainda assim, a falta de experiência deste é visível em passagens que requerem um carácter mais emocional, mas julgo-o no bom caminho.
A fotografia é boa, com paisagens magníficas e cenários criados em computador bem elaborados. Por outro lado, a falta de experiência do realizador (outro estreante) acaba por transparecer a todos nalgumas captações de planos feitos a partir de helicóptero, que na edição não merecem a atenção necessária. E claro, o argumento não é o que se esperava, ficando muito aquém das expectativas, prejudicando o todo.
No fundo, o que de melhor se conseguiu nesta aventura cinematográfica foram os efeitos especiais, destaque absoluto para Saphira. Está simplesmente fabulosa, um dragão (fêmea) fantástico! Confesso que tinha grande apreensão neste ponto, pois para além de ser fã acérrimo destes seres míticos, acabo por exigir muito de quem os cria visualmente. Foi uma agradável surpresa. A sua voz é-nos dada por Rachel Weisz, que está longe de ser a ideal, pelo simples facto de ser monocórdica do início ao fim. Em momentos de maior tensão a sua suavidade poderia ser mais aguerrida, sem nunca esquecer que Saphira é uma jovem.
Pormenores à parte, que são a essência de um bom filme, era esperado mais e melhor, se bem que acabo por compreender certas decisões e direccionamentos, não estando necessariamente de acordo com tudo. Globalizando e para terminar, penso que os admiradores deste mundo criado por Christopher Paolini vão gostar de se deslocar até às salas de cinema, pois para além de não aspirar a épico, o filme acaba por ter muito de interessante.
Lá se foi o poder de síntese, vencendo novamente o poder de navegação pela maionese. Fiquem com duas das frases mais marcantes desta primeira adaptação ao grande ecrã. Na realidade, acabam por dizer muito do que é este filme:
“That's the spirit – one part brave, three parts fool.” Brom
“I expected you to be – well, more...” Durza


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Mauro Bex : maurobindo

sexta-feira, dezembro 15, 2006

LURTZ Premium Format Figure

Sem precisar de aprofundar muito a descrição desta peça fenomenal, deixo-vos algumas fotos, pois as imagens valem mais do que mil palavras. Lurtz faz parte da recente linha criada pela Sideshow dedicada à saga Senhor dos Anéis (Premium Format Figures), após os termino adaptação de Peter Jackson à 7ªArte da trilogia original de Tolkien. Fica uma breve descrição da loja Good´N´Evil, que em Portugal é a única loja que se dedica exclusivamente a este tipo de coleccionáveis. Uma boa prenda de Natal, sem dúvida alguma. Entretanto, espero que a minha chegue na próxima semana.

A Good n' Evil inicia uma nova coleção para todos os amantes dos Senhor dos Anéis:
- Recreada à escala de 1:4 com o seu sabre e o seu escudo, a escultura capta perfeitamente a malicia intencional do ataque de Lurtz aos companheiros.
- A figura é feita de uma mistura de resina e cabedal, onde são utilizados os melhores materiais para recrear todos os detalhes, como a bruta mas eficaz armadura Uruk-hai.
Peso: 6,91 Kg
Altura: 57,1 cm
Largura: 25,4 cm
Profundidade: 25,4 cm








Mauro Bex : maurobindo

Richard Câmara: Ilustrador Português

Como muitos portugueses que executam trabalho de qualidade, Richard Câmara "mandou-se" para terras de nuestros hermanos, ou seja, trabalha fora de Portugal como muitos outros que ambicionam algo mais. O propósito de o trazer a este blog tem várias razões de ser.
A primeira, como referi no início, prende-se com a evidente qualidade do seu trabalho.

A segunda, pelo facto de as suas ilustrações fazerem novamente parte do projecto “Pictoplasma - Character Encyclopaedia”, edição que compila projectos de ilustração, design, etc., tendo como finalidade a sua possível coloração, partindo daí para um universo expandido onde as ideias poderão ser utilizadas para a execução de instalações, escultura, pintura e muito mais. A sua vertente de manual de identidade gráfica é vincadamente objectiva, trazendo ao dia-a-dia do indivíduo novas possibilidades. Podem consultar os seus “Ratos Mickey” que fazem parte deste projecto, aqui.

A terceira razão deste artigo tem a ver com um dos seus trabalhos, La Caperucita Terrorífica, que recebeu uma distinção no IX ExpoComic de Madrid, evento de grande referência na BD espanhola. Aconselho vivamente a sua visualização no blog do respectivo autor, onde podem ter acesso às 4 pranchas desse projecto.

Por fim, falo-vos do “Rei Arenque”, BD que esteve exposta no FIBDA´06. Fica uma página deste título para vossa visualização e, o conselho para uma visita ao blog do artista, richardcamara.blogspot.com, onde terão acesso às restantes pranchas desta história que conta com o argumento de David Soares (o projecto desenvolveu-se a partir de um storyboard deste último). Parabéns ao que de bom se faz com selo português!
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

quinta-feira, dezembro 14, 2006

PIC(K) OF THE WEEK #7

David Petersen: Mouse Guard


Mauro Bex : maurobindo

O FIBDA´06 já lá vai (um último Sábado no FIBDA)


Apesar de o Festival já ter terminado há algum tempo, cerca de mês e meio atrás, tinha-me comprometido com o Nuno (enanenes do BDesenhada.com) a escrever um artigo sobre o final do FIBDA´06. No primeiro artigo que escrevi, debruçava-me sobre o 1º Sábado do evento, com alguma curiosidade e expectativa à mistura, pois a coisa prometia. Ou talvez não. Ora bem, chegado o último Sábado do Festival, concluí que nem tudo deve ter corrido como o esperado (mais uma vez). Passo a relatar nas linhas que se seguem, essa minha vivência. Hora de almoço, boa altura para visitar a exposição do piso -1, pois o tuga tem sempre de almoçar (e de fazê-lo a horas certas de preferência), pensei eu e pensei bem. Tranquilidade, espaço e tempo para ver tudo com atenção e sem problemas, mas a certa altura confesso que tanta calmaria começou a tornar-se estranho; não liguei e aproveitei ao máximo. Decidi passar para o piso superior, o piso 0, onde estavam concentradas as várias editoras e lojas, mais a exposição do Filipe Abranches e várias outras. Qual foi o meu espanto quando percebi que caminhava praticamente sozinho em tão amplo espaço. Pior, só duas ou três das lojas se encontravam em funcionamento! As restantes até paninhos tinham por cima, para que os livros não apanhassem pó. Para além da minha pessoa, realmente devia ser a única coisa que também circulava por ali… Isto, entre as 13:30h e as 14:00h. Eu percebo que as pessoas tenham de almoçar, mas sinceramente! Já inventaram o revezamento na altura em que éramos símios. No fundo continuamos na mesma. Não serve de muito estar para aqui a alongar-me e a esticar conversa. Achei importante a temática da exposição do piso -1 (sim, é propositadamente que assim a chamo), pois trouxe ao de cima vários trabalhos de qualidade dos quatro cantos do mundo, permitindo-nos ver mais de perto as diferentes técnicas, estilos e realidades de cada região do globo. Agora cá em cima, tirando as exposições e os artistas que nos presentearam com as suas aparições, a organização e as lojas tiveram uma prestação, direi ausente, pouco participativa. Estou a generalizar, é claro. Desculpem a sinceridade mas foi o que senti nos dois dias em que me pude deslocar à Brandoa. Quando se fala no facto de Portugal estar a anos-luz, em certos casos, no que diz respeito à divulgação e promoção de eventos, o FIBDA é um bom exemplo, no mau sentido. Fale por si quem foi, quem viu, quem participou, quem está lá sempre, quem faz parte do grupo dos do costume. Trata-se apenas da minha opinião, pois gostaria muito de um dia, ver um Festival de BD no nosso país a “rebentar pelas costuras”. Tenho dito.


Mauro Bex : maurobindo

Capas do 9ª #4 - SHI: JU-NEN #1 a 4

Após longo interregno, Tucci decidiu voltar a investir na sua criação mais (re) conhecida, a heroína Shi, desta feita com apoio e edição da Dark Horse. O enquadramento da narrativa transporta-nos de volta ao Japão, onde os velhos fantasmas que continuamente assombram e se retorcem na memória de Ana Ishikawa, prendendo-a às suas origens, trazem à tona do seu consciente velhos conflitos por resolver. No entanto e, pela primeira vez, vou tomar a liberdade de compactar nesta rubrica 4 capas que formam um dos mais belos conjuntos a que já tive acesso. Foi precisamente o impacto visual destas 4 composições que despertaram imediato interesse em mim, levando-me mais tarde a adquirir esta mini-série (foi o primeiro contacto que tive com o trabalho de Tucci). Há dez anos que a personagem Shi estava afastada de novas publicações. Para os fãs foi um regresso refrescante. Ainda assim, arrisco afirmar que melhor destes volumes são as capas. Não que o argumento e a arte sejam pobres, mas por vezes tornam-se confusos, levando à dispersão do leitor. É sobre as isso (as capas) que vale a pena reflectir e procurar julgar as mesmas como um todo, indissociáveis entre si, pois a linha de raciocínio escolhida aplica-se a todas elas. Existe de forma algo notória uma combinação entre ocidente e oriente, quer a nível de representação artística quer a nível cultural, remetendo-nos para as origens de Ana Ishikawa, filha de pai japonês e mãe estado-unidense (utilizo esta terminologia, pois considero que americano ou norte-americano engloba várias nacionalidades). Os seus traços faciais denotam saudável ambiguidade cultural, o rosto branco da sua subtil personalidade geisha que utilizou no passado para servir os seus propósitos. Ao mesmo tempo, é o pó de arroz e toda uma maquilhagem nipónica que fazem de Shi o que ela realmente é, uma guerreira de raízes sohei (treinada pelo seu avô paterno) com personalidade fortemente vincada pela determinação, caminho que a conduz às suas metas, nunca lhe tirando pitada da sensualidade e erotismo que tão bem a caracterizam. Na primeira capa é bem visível a sua sensualidade, na segunda a atitude guerreira, na terceira a astúcia e determinação, e na quarta a sua objectividade. Qualquer semelhança com a arte da gravura japonesa é pura coincidência. Não me parece ter sido essa a proposta de Tucci, se bem que na primeira das composições há toda uma envolvência que nos poderá remeter para o séc. XIX (consultar o site sobre Gravuras Japonesas Modernas, exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian). Como referi anteriormente, Shi acaba por adoptar um pouco dessa tradição geisha, vincadamente sensual e serviçal, mas que no fundo é muito, muito mais do que isso. O cabelo escorrido sempre penteado e tratado, o cuidado com a toilette e aparência, o corpo sempre esbelto e sinuoso, a escolha com as vestes… A personificação do bem e do mal faz parte desta mulher guerreira, sendo formidavelmente exposta no papel e melhor do que nunca nestas capas. Elas são um autêntico espelho da verdadeira essência de Ana Ishikawa, conhecida entre nós como Shi.
Boas leituras!

Veja as capas com maior qualidade:
Shi: Ju-Nen #1
Shi: Ju-Nen #2
Shi: Ju-Nen #3
Shi: Ju-Nen #4



Mauro Bex : maurobindo

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Brevemente: HISTÓRICOS DA 9ª ARTE



Está para breve a inclusão de uma nova rubrica no 9ª, denominada "Históricos da 9ª Arte". Desta farão parte figuras emblemáticas da Banda Desenhada a nível global, mas não apenas figuras nascidas através da BD. Passo a explicar, pois a abrangência estende-se até que a imaginação e a memória o permitam, abarcando personagens que possam vir de outra realidade ou arte que não a Banda Desenhada, mas que tenham sido retratados em BD, isso é fundamental, ou este tema não faria sentido algum. Logo, de proveniência directa ou indirecta, se assim o posso classificar. A ideia é retratar ícones que sejam famosos e, neste caso específico, com alguma antiguidade e posto, procurando eu ser o mais consensual possível no tratamento e escolha dessas "personalidades". Está para breve, muito breve. Mantenham-se atentos.
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

terça-feira, novembro 28, 2006

PIC(K) OF THE WEEK #6


Humberto Ramos: Wolverine


Mauro Bex : maurobindo

Michael Moorcock´s ELRIC: THE MAKING OF A SORCERER

Para um melhor aproveitamento e compreensão desta obra por parte do leitor, convém que o interessado tenha acesso aos 4 volumes que a compõem, caso contrário colherá algumas migalhas e não o todo em si. Em seguida, o facto de ser o próprio Michael Moorcock, criador de Elric, o responsável pelo argumento valoriza sobremaneira estes 4 álbuns. A arte, essa está a cabo de Walter Simonson com Steve Oliff. O que por vezes ocorre acaba por ser, no mínimo, estranho. Conseguimos assistir a determinadas composições em que é evidente “que o artista é um bom artista”, mas noutras questionamo-nos se realmente foi a mesma pessoa que o fez. O traço de Simonson é inteligente na maioria das vezes, mas parece ocorrer uma certa saturação em determinadas alturas que prejudica o todo das quatro obras. Talvez tenha havido pouco tempo para algo que merecia mais dedicação.

No universo temporal, esta estória passa-se no período imediatamente antes do primeiro livro escrito por Moorcock, Elric of Melniboné (edição portuguesa da Saída de Emergência), que dá início à famosa saga do príncipe albino. Por este motivo, muito havia a explorar e muita coisa interessante foi conseguida. Quero com isto dizer, que alguns dos pontos de interesse a que não temos acesso nos livros, são retratados aqui (a BD surge como complemento à literatura). Bom exemplo é a personagem do pai de Elric, o Imperador Sadric, na sua constante crise de decisão em relação ao próximo herdeiro do Trono de Rubi: o filho Elric, legítimo herdeiro, enfermo, frágil de corpo mas sábio, ou Yyrkoon, sobrinho do regente e figura típica melniboneana, cruel, forte e impiedoso. Resumindo, são ambos as duas faces de uma mesma moeda. Para provar a si mesmo de que é um ser capaz, não ao seu pai nem a ninguém, Elric parte em quatro jornadas, uma em cada livro desta Banda Desenhada da DC. Etapas de auto-superação e amadurecimento, os sonhos em que este herói (ou talvez deva chamar-lhe anti-herói) embarca fazem parte do ambíguo processo de selecção para ser o próximo Imperador da Ilha dos Dragões. Estes quatro sonhos remetem-nos para outra realidade paralela, onde várias análises e/ou abordagens podem ser feitas. Quando falamos de Elric ou Michael Moorcock, automaticamente pensamos em literatura fantástica. Mas não devemos esquecer que Moorcock foi um dos pioneiros do movimento New Wave da Ficção Científica, e que por vezes, o seu trabalho no campo do fantástico roça as fronteiras da FC. Quando estas etapas na forma de sonhos ocorrem, será que esta suposta realidade estará longe de acontecer na realidade em que vivemos? Quem sabe se, num futuro próximo ou distante, poderemos comprimir o tempo através dos sonhos, ganhar experiência de vida, viajar e conhecer novos seres e locais, tal como sucede nas aventuras de Elric. Já existem formas de fazer, hoje em dia, essa supressão temporal, mas não está ao alcance de todos. Enquanto isso, Elric vai assimilando a sua experiência e conhecimento de forma interessante no final de cada um dos álbuns, adquirindo saber de forma inconsciente, já que acaba por se esquecer de tudo quanto sonhou assim que os minutos seguintes ao seu despertar se desenrolam. No final dos 4 volumes fica a lição: não existe maior força e poder que o saber. É nessa busca constante por se aprimorar que o Príncipe albino se embrenha de forma incessante, pois a linhagem de onde provém é das mais nobres de que o tempo tem memória. Curioso o suficiente para se juntar a este jovem sábio?
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

segunda-feira, novembro 06, 2006

Capas do 9ª #3 - WORMWOOD #3


Ben Templesmith é um dos meus artistas preferidos. Principalmente por ter o seu lado “dark” muito bem desenvolvido. Para muitos, Templesmith é um pouco exagerado, chegando a ser desagradável e incómodo. Para mim, é apenas um artista de excelência, tanto pela forma como aborda as temáticas, bem como depois do processo conceptual estar concluído o passa para um suporte físico e palpável. Esta capa é um bom exemplo de como o autor tira prazer da simples hipótese de poder chocar os mais sensíveis ou de agradar veementemente os seus seguidores. Passando a um breve resumo, ou apanhado geral, esta capa é de uma série da total responsabilidade de Templesmith. Ele escreve o argumento e aplica-lhe o seu traço, enaltecendo a sua arte. Wormwood narra a história de um detective zombie apaixonado por Guiness, e do seu companheiro mecânico com tendências acentuadas para dizimar tudo o que venha de uns estranhos portais que fazem parte deste universo. Sem querer aprofundar muito, é também importante saber o contexto para que esta capa faça mais sentido, ou esta rubrica correria sérios riscos de não ter nexo algum. Existe um surto de seres alienígenas ou coisa semelhante, vindos de um qualquer plano ou dimensão, de onde só saem coisas meio vivas ou meio mortas. Estes germinam como rebentos, na barriga de qualquer humano, seja homem ou mulher. O próprio detective Wormie já foi apanhado por esta praga, numa fase inicial. Será Wormie a chave para o desenvolvimento desta indesejável espécie? É bem provável, a julgar por esta capa. Com o seu ventre já alugado, haverá forma de ultrapassar este esquema? Até à data tudo teve solução. Apesar dos fortes tons, bem quentes e garridos que marcam o seu ventre, o contraste com as cores do seu corpo e fundo demonstram vontades opostas. Irão os monstros propagar-se e tomar conta da cidade sem que nada seja feito? O detective responsável por evitar tais situações anda por cá, mas não existem dúvidas que estamos perante um evidente ponto de viragem. Aquele tentáculo não surge aleatoriamente na composição e Wormie não muda de polaridade por obra do acaso. Grandes surpresas se esperam, enquanto uma nova figura errante vem ao encontro da resistência do nosso investigador. Esta capa é o seu portal de entrada para este universo abominável. De que está à espera para entrar?
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo