domingo, maio 18, 2008

Nova Iorque 1 - "Iron Man @ Ziegfeld"

A viagem a Nova Iorque foi uma experiência memorável e única. A primeira vez marca-nos bastante e por muitas vezes que lá regresse (o que pretendo fazer) nunca será igual. Pode até ser melhor. Mas esta foi a primeira.
Caminhar pelas ruas da cidade que nunca dorme pode conduzir-nos a locais que não esperaríamos encontrar, no meio de tanta coisa já levada em mente para ver e fazer. Uma das vivências mais interessantes foi uma ida ao cinema para ver o filme Iron-Man. A cidade estava repleta de publicidade à película e acabou por ser este que estava mais perto do hotel e ainda por cima numa sala mítica, o Ziegfeld. Bilhete comprado umas horas antes, não fosse o filme esgotar e lá fui ao encontro do gajo de ferro. Assim que entrei no edifício, uau!, que sensação. Caminhava por um antigo teatro construído em 1969 (o antigo Ziegfeld foi demolido e tinha sido erigido originalmente mesmo ao lado, em 1927, sendo uma das principais salas de teatro da Broadway), agora convertido em sala de cinema. Ao chegar à sala principal, decorada por veludo vermelho nas paredes dando-lhe um ar bem clássico, esta já estava quase cheia e muito animada (lugares sentados - 1.131), com o público na real palheta pré-apresentações. Aguardando, passados uns minutos começaram as ditas. Qual o meu espanto quando o público começou a reagir como se estivesse no teatro! Que sensação diferente mas muito boa. Nada a ver com os nossos irritantes comedores de pipocas de boca aberta, o ambiente era descontraído e de festa, pois uma ida ao cinema é um acontecimento naquela cidade. A malta batia palmas, dava gargalhadas estridentes mas sentidas e fazia os típicos “uhhhhhhhhh” e afins, quando algum actor se armava aos cucos. O melhor foi quando apresentaram “Indiana Jones”. Mal começou a música toda a gente desatou a bater palmas e a uivar de alegria. Foi belo!
Quando “Iron Man” começou o entusiasmo manteve-se em alta. Sempre que Tony Stark dava a sua piadinha ou se armava em cromo, o público acompanhava com as habituais gargalhadas, apupos ou “ohhhhhhh”s. Foi sem dúvida memorável. Mas a cereja no topo do bolo foi no final, quando me dirigi ao balcão para comprar uma água e uns M&Ms. A moça do outro lado pergunta-me: «Did you saw Spike Lee?». Fiquei naquela a pensar comigo mesmo que devia ter ouvido mal. Perguntei-lhe: «Sorry?». Ela repetiu o mesmo. O homem tinha estado na mesma sala que eu e eu não o vi! Perguntei se era o mesmo Spike Lee e onde tinha estado. E ela rematou: «Here, just now. With his daughter. He always comes here». Ai! Foi ao poste. O que vale é que no dia anterior tinha visto o Morgan Freeman…

Mauro Bex : maurobindo

2 comentários:

looT disse...

Parece que a postura do típico espectador Americano e Europeu é completamente diferente.

Quanto ao Spike Lee deixa lá era pior se tivesse sido a Jennifer Connely ;)

maurobindo disse...

O modo de estar numa sala de cinema é completamente diferente entre europeus e cidadãos dos estados unidos. Mas não incomoda nada, muito pelo contrário, pois é espontâneo e gera-se uma interacção fascinante.

Quanto ao Spike Lee e visto por esse prisma, até que seria bem pior se tivesse sido como disseste, hehe!