quinta-feira, abril 26, 2007

300, ainda o Filme - Alguns dos responsáveis





Mauro Bex : maurobindo

300 - O Filme

Esta semana no 9ª fica marcada por uma homenagem a “300”, de Frank Miller e Lynn Varley. Em primeiro lugar a BD, depois uma capa, em seguida uma imagem e por fim, uma opinião sobre a adaptação à grande tela, feita pelo realizador Zack Snyder. É sobre esta última que me vou debruçar agora.
A minha expectativa neste filme era imensa, talvez das maiores que alguma vez coloquei em algo deste género. Muitos tinham sido os trailers e imagens que há muito circulavam pela net, bem como as mais variadas críticas, umas mais positivas, outras bastante más. Como tenho de ver para poder opinar sobre algo, nada como assistir à película assim que houve possibilidade. Só posso dizer que fiquei colado à cadeira do primeiro ao último minuto. As primeiras cenas estão muito bem conseguidas, mostrando-nos a realidade daquele povo antigo, desde o primeiro momento de vida de qualquer espartano. Só os mais fortes eram escolhidos. Não havia lugar para os fracos. Logo em seguida, a cena de entrada dos mensageiros persas em Esparta, qual cavalgada épica em movimento lento, verdadeiro começo desta jornada gráfica que recorreu às técnicas mais recentes para dar o devido tratamento às imagens, que são o essencial deste projecto bem-sucedido.
A partir daqui o enredo desenrola-se tal e qual como na Banda Desenhada, com extremo cuidado e fidelidade aos diálogos, posicionamento dos personagens no ecrã tendo em conta as pranchas de BD e toda a espécie de cenários e localizações. Obviamente que existem variadas adaptações, quer a nível das falas e das personagens, com particular destaque para Gorgo (Lena Headey), rainha de Esparta, que assume um papel de destaque durante o desenrolar do enredo, principalmente perto do final.
Em resumo, é graficamente que o filme ganha toda a sua força. Como referi, a fidelidade à obra original é notável (F. Miller é produtor executivo), não só no que diz respeito ao argumento como também na arte, aproximando-se muito às cores de L. Varley.
A escolha dos actores foi interessante, deixando de fora estrelas conhecidas, dando espaço para que outros talentos surgissem sem o receio de serem ofuscados. Quem saiu a ganhar foram os próprios actores e, mais tarde, todos aqueles que puderam assistir ao filme. Gerard Butler não podia ser melhor Leónidas, com um “rugido longo e forte, e cheio de riso” lembrando a linhagem espartana associada ao próprio Héracles.

Marcantes são todas as cenas de batalha, quer em quantidade quer em qualidade, fazendo lembrar autênticas coreografias. A determinada altura assistimos à movimentação de Stelios (Michael Fassbender) e do filho do capitão, que juntos parecem dançar comandados pelas suas armas, chacinando qualquer inimigo que se aproxime das suas lâminas.
Xerxes (Rodrigo Santoro) tem a presença imponente que se esperava de tal personagem, sendo a sua voz profunda e extremamente grave. O detalhe da sua caracterização é fantástico, bem como o seu trono dourado.
Muito fica para contar e descrever, pois a película, enquanto adaptação de BD à 7ª Arte, é a melhor que vi até hoje, disso não tenho dúvida alguma. Apesar de existirem críticas bastante negativas sobre o objecto em análise há uma coisa que deve ser reconhecida, em obra gráfica adaptada nunca se fez nada tão bom, quer gostem ou não. Se dúvidas houver, vão ao cinema mais perto, verifiquem por vocês mesmos e sucumbam ao poder das imagens, à força das cores e ao impacto da acção e dos movimentos de batalha. Comparem o livro com o filme (na net existe muita informação a esse propósito, basta pesquisar), coloquem lado a lado os dois e retirem daí as vossas conclusões.
O final, esse já todos o sabemos, como nos conta a História. História essa, que acabou por dar razão ao Rei Leónidas e aos seus bravos 300. Com Miller em 1998 e com Snyder em 2007, voltámos a falar dos feitos deste punhado de homens que lutaram pelos seus ideias e convicções. Segundo eles, pela liberdade. E que façanha foi…

Em jeito de boato e para terminar, parece que um segundo filme já está em discussão, com o filho de Leónidas à frente dos espartanos. Investiguem.


Mauro Bex : maurobindo

PIC(K) OF THE WEEK #14


Frank Miller e Lynn Varley - King Leonidas


Mauro Bex : maurobindo

Capas do 9ª #7 - 300 #5


Quase dez anos depois de ter sido lançada pela Dark Horse, a mini-série “300” de Frank Miller e Lynn Varley, anda nas bocas do mundo, muito por culpa da sua fantástica adaptação à 7ª Arte. Como tenho por hábito falar em determinados assuntos quando estes começam a arrefecer e a passar à fase de esquecimento momentâneo, é nessa altura que gosto de abordá-los novamente, pois dá-me um certo gozo, não sei bem dizer o porquê. Como tal, escolhi a capa #5 de “300” para figurar como #7 desta rubrica mensal.
O que temos nesta capa pode-nos dar um breve resumo do que é esta adaptação gráfica de Miller e Varley à 9ª Arte, da mítica batalha das Termópilas. Como dizia um antigo professor, “está tudo lá” e eu só posso concordar.
Vejamos: haverá melhor par de cores para representar a morte do que preto e vermelho? Também penso que não. No fundo, é de muito sangue e batalha que trata esta obra. Como temos patente na capa sangue salpicado, um fundo estritamente negro, um elmo gasto e marcado por uma qualquer arma, sem uma única presença humana, o desfecho que conhecemos (ou que podemos ficar a conhecer) é-nos transmitido com criatividade. O destino do Rei Leónidas está traçado, juntamente com o dos seus 300 bravos. Mas não é apenas de batalha e morte que nos “fala” esta capa. Ela demonstra a forma de estar de todo um povo, que sabemos à partida ter raízes guerreiras. A frieza, o estado de espírito e a atitude espartana estão chapadas nesta capa, pois apesar de saberem que a vitória não passa de uma miragem, de uma ténue esperança em sobreviver, nada os demove do seu objectivo que é tão simples como lutar pelos seus ideais. Contudo, a moeda tem sempre duas faces e existe um preço a pagar pelas decisões tomadas. No fim e como o Rei Leónidas aclamou (e o seu elmo o marca na composição) um dia, este acontecimento seria contado às gerações vindouras, ficando para todo o sempre registada nos anais da nossa História.
Espartanos, bravos guerreiros, homens de forte espírito e determinação férrea, não haveis lutado em vão. Em 2007, passados mais de dois milénios, ainda falamos de vós e dos vossos feitos com respeito e admiração. Esparta perdurará.
Boas leituras!

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Mauro Bex : maurobindo

Leituras FDS#4 - 300


Obra imprescindível para qualquer amante de Banda Desenhada que se preze, “300” já faz parte das obras-primas da história mais recente da BD, se assim a posso classificar, executada por um dos artistas mais conceituados da geração que marcou o panorama bedéfilo no final do século passado, Frank Miller. Diria mesmo que é uma obra obrigatória. Se ainda não a leu, então apresse-se a fazê-lo.
300” é inspirado na histórica batalha das Termópilas, decorria então o ano de 480 A.C. Convém esclarecer alguns críticos mais acesos, que livro não retrata factos históricos de forma 100% fiável, mas funciona como um género de romance histórico ilustrado, no qual o autor junta várias peças de veracidade histórica, mas ao mesmo tempo tempera-a a seu bel-prazer com vários pedaços de ficção, da forma que melhor lhe aprouver. É dessa forma que este livro deve ser entendido.
A acção divide-se em cinco partes, a saber: Honra, Dever, Glória, Combate e Vitória. Numa primeira instância, esta mini-série foi publicada pela Dark Horse (1998) em cinco comics e mais tarde compilada em formato italiano de capa dura em Portugal, pela Norma (2004), que enaltece bastante a qualidade do trabalho dos dois artistas.

“Marchamos.” Assim começam os espartanos, em busca de vitória. Nesta sua jornada, cedo se juntam os Arcádios, povo com a sua dose de coragem, mas sem grande tradição guerreira contrariamente aos seus compatriotas espartanos, que desde muito jovens passam por variadas provas de sobrevivência para a sua preparação para a vida adulta, onde só os melhores guerreiros são naturalmente seleccionados.
No centro do enredo está Leónidas, Rei de Esparta e dos espartanos. Cedo conhecemos este homem pela forma como pensa, age e transmite a sua sabedoria. Daí os seus homens o terem como exemplo, seguindo-o para qualquer local ou destino, sem perguntas nem dúvidas. E é Leónidas que traça esse destino bem cedo, aquando da recepção ao arrogante mensageiro persa. É neste momento que o Rei decide enfrentar o inimigo com a sua guarda de elite, os 300.
O resto é história, que deverá ser lida. Os 300 bravos lutam, resistem e derrotam, desde comuns guerreiros até outros ditos imortais (até que o seu nome é posto à prova). Pelo meio o exército de Xerxes vai perdendo gás e o próprio Rei-Deus é levado a sentir um arrepio muito humano na espinha. O confronto final reserva-nos algumas surpresas, se bem que o desfecho é conhecido e inevitável.
A arte do desenho fica a cabo de Frank Miller, que é simplesmente excelente. É típico da sua pessoa, não trazendo nada de extraordinariamente novo para quem conhece o seu trabalho, se bem que se nota uma constante evolução na sua obra, e “300” é um desses pontos altos.
A cor, da responsabilidade de Lynn Varley, é das melhores aplicações de aguadas que vi em BD. O espírito de “300” é captado na perfeição através da coloração dada pela artista, misturando os tons castanhos, amarelos e ocres, transmitindo-nos uma atmosfera de antiguidade distinta, aproveitando os cenários nocturnos para trabalhar cinzentos, lilases e azuis. Certas vinhetas mereciam destaque de página inteira, mas como é óbvio tem de existir selecção. Em cenas de batalha, tons vermelhos são predilectos, mesclando-se novamente com as tonalidades escolhidas para retratar a antiguidade da história.
Se dúvidas houver em relação à qualidade da obra, esta venceu 2 Prémios Harvey em 1999 (Melhor Série e Melhor Cor), 3 Prémios Eisner em 1999 (Melhor Série Limitada, Melhor Autor Completo e Melhor Cor), Prémio Salão de Barcelona 2000 (Melhor Obra Estrangeira), entre muitos outros. Mais uma prova é a sua recente adaptação à 7ª Arte, como posso comprovar, com grande sucesso.

Depois de ler o original e mais tarde a tradução para o português, pouco tenho a apontar neste campo. Existem frases marcantes durante todo o livro e são nessas mesmas frases que o teste é feito ao tradutor. Com relação à colocação do texto nos balões e afins, louvo o trabalho da pessoa responsável por tal tarefa. Deve ter sido de arrancar cabelos, pois o espaço era mínimo, obrigando a partir o texto na grande maioria dos casos, dificultando a leitura, mas diga-se de passagem que não havia grande alternativa.

Para terminar, “Se algum dia uma alma livre aqui passar, nos incontáveis séculos ainda por vir, que as nossas vozes lhe sussurrem desde as pedras sem idade: vai dizer aos espartanos, viajante, que aqui, pela lei espartana, jazemos.”, “Para a vitória, carregamos.”.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

terça-feira, abril 10, 2007

Leituras FDS#3 - Loki


Editado pela Devir em finais de 2005, Loki (mini-série de quatro números, aqui compilada em formato capa mole) é um título que fará as delícias dos amantes de todo o universo Asgardiano. Basicamente, Loki trata sobre “Ajoelhai-vos, deus do Trovão. Ajoelhai-vos perante o vosso conquistador. Ajoelhai-vos como a vossa justa paga perante Loki, filho de Laufey. Ajoelhai-vos tal como toda a Asgard o faz, perante o seu senhor por direito.”, mas é muito mais profundo e elaborado, sendo uma óptima leitura para que o leitor treine o seu discurso na terceira pessoa. É que, como estamos perante um enredo que se desenvolve à volta de deuses, estes tendem a utilizar o discurso mencionado, digamos que mais antigo, soando maravilhosamente a qualquer ouvido mais interessado. Opções à parte, temos uma versão que não é a mais habitual, ou seja, o discurso, a história, a vivência daquele que, normalmente, é o menos amado. Em Loki é-nos dada a versão do mau da fita. Ao mesmo tempo, temos mais disponibilidade para ficar a conhecer o meio-irmão de Thor e o porquê de Loki ser filho de Laufey e o motivo pelo qual Odin o perfilhou. Durante a estória assistimos à curta ascensão do deus da trapaça ao trono de Asgard, aos vários diálogos que este vai travando com alguns dos seus “aliados” nessa conquista, às visitas aos “convidados especiais” das masmorras tais como Lady Sif, Balder e claro está, Thor. Já mencionei que este último inicia este título de joelhos, humilhado perante toda a Asgard? Não é um bonito quadro para os fãs do deus do trovão.Interessante foi poder perceber como Loki lida com o seu novo estatuto e o conflito interno que esta situação vai gerar na sua mente ardilosa. Loki sabe que no fundo, Thor foi o único dos irmãos que nunca nutriu indiferença por si. Não falo de desprezo ou humilhação, apenas de um sentimento que acabou por levar Loki a nunca querer eliminar Thor, mas apenas tratá-lo da mesma forma, a pagar a humilhação e o desdém na mesma moeda. Este será o sentimento que os ligará a ambos para sempre. No fim de contas, Loki procura mostrar a todos os habitantes do reino que tem a capacidade de diminuir o adorado Thor aos mais ínfimo ponto, até mesmo matá-lo se assim o desejasse. Curioso ou não, não é isso que o deus da mentira pretende, e esse vai acabar por ser o seu fado. “Eis o infeliz paradoxo: o trapaceiro pode enganar a todos menos a si próprio.”; é este o fio condutor de toda a trama.

Passando à arte que não a da escrita, esta está simplesmente soberba. O tipo de traço de Esad Ribic assenta que nem uma luva aos espaços físicos e temporais onde se desenrola o argumento de Robert Rodi, sendo depois colmatado com uma aplicação de cor que consegue acompanhar, ou até mesmo superar tudo o resto, pois a mesma é aplicada de forma directa no desenho, sendo toda a BD uma autêntica pintura. É a mesma técnica que o artista utiliza nas várias capas que executa, mas que, neste caso, foi trabalhada na totalidade da obra com resultados acima da média. Confesso que fiquei surpreendido com o nível de pormenor e cuidado com o detalhe, não muito comum no mundo dos comics. Tal surpresa foi bastante agradável, já que na maioria dos casos o estilo utilizado nos comics não passa por este tipo de abordagem gráfica, infelizmente. Parece que têm de ser os europeus a “chocalhar” um pouco os hábitos dos estado-unidenses a que todos nós fomos habituados. Como conversava há dias com dois colegas, parece que os pormenores mais minuciosos e os fundos trabalhadíssimos ao mais ínfimo detalhe são exclusivos do estilo e mercado europeus. São estilos, cada um com os seus prós e contras. Ainda bem que existe diversidade e opção de escolha, caso contrário voltávamos ao tempo da outra senhora, como parece ser o desejo de muita gente. Realmente a memória portuguesa é curta e a ignorância continua a servir-se a rodos. Analogias à parte, digo-vos que dá vontade de voltar ao início quando chegamos ao fim, nem que seja só para folhear o livro e apreciar a arte de Ribic. No final existe um pequeno mimo, as quatro capas originais da mini-série, todas de Ribic.

Fazem falta mais publicações de BD em Portugal, pois quanto maior for a opção de escolha mais bem servidos estamos. Mais, no caso concreto da Banda Desenhada nunca é demais. A Devir deve continuar a apostar neste nicho de mercado, onde me parece, se sente mais à vontade que em tudo o resto. Têm muito a ganhar e nós, os leitores e seguidores da 9ª arte, também o temos. Não desistam que nós agradecemos. Nunca.
Boas leituras!

P.S. – Obrigado ao Renato pelo empréstimo do livro. Haja alguém com quem se possa ir trocando BD. Ufa!


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Mauro Bex : maurobindo

300 @ Algarve Shopping


O meu amigo Marcus, aka mawalien, visivelmente excitado depois de sairmos da sala onde assistimos ao magnífico "300". Foi fantástico!

segunda-feira, abril 09, 2007

She Wants Revenge - Tear You Apart

Não há uma sem duas. Assim sendo, aqui está novamente o duo de L.A., com o mesmo tema "Tear You Apart", em versão de adaptação (principalmente) a Sin City, mas também com excertos de "Kill Bill" e não só. Talvez haja uma 3ª vez...
Enjoy.

quinta-feira, março 29, 2007

Sin City - She Wants Revenge

Numa das minhas raras passeatas pelo YouTube, deparei-me com esta adaptação de umas das minha bandas de eleição, os "She Wants Revenge", para com o mítico "Sin City" de Frank Miller. Nada como ver um bom "trailer" com uma banda sonora que encaixe como ginjas. Apreciem.

quinta-feira, março 22, 2007

Históricos do 9ª #1: Recruta Zero (Beetle Bailey)

Começo o segundo número desta rubrica com cunho pessoal, pois esta é uma figura pela qual nutro um carinho especial. Nos meus tempos de infância, em época estival, guardo na memória a recordação de estar a caminhar para a praia com todos aqueles apetrechos necessários ao bom banhista, e de pedir aos meus pais que me comprassem uma BD qualquer, ou um daqueles almanaques mais espessos (em dias de mais sorte), pois devorava tudo num instante. O meu pai, leitor assíduo de periódicos, recomendou-me um dia o Recruta Zero, visto eu ter a mania da Disney naquela altura. “Leva este que te vais fartar de rir. É muito engraçado. Vais adorar!” Ora, como qualquer petiz, anui de imediato. E pronto, a partir daquele dia longínquo ficaria para sempre ligado ao Recruta Zero, que mais tarde vim a descobrir chamar-se Beetle Bailey, no original, pela capacidade que continua a ter em alegrar qualquer espírito.
A história do Recruta Zero é longa, contando com mais de 50 anos de publicações. Da autoria de Mort Walker, Zero começou por ser um estudante universitário de nome Spider (publicado pela primeira vez em 1950), mas foi passado um ano que a sua popularidade disparou. Durante a guerra na Coreia, a personagem alista-se no exército para prestar serviço à nação e o cenário passa do campus universitário para o quartel. Foi uma aposta de génio por parte de Mort Walker, como a história hoje nos mostra. Fundamental, é sabermos que Zero surgiu publicado no formato tira cómica, criado por um homem que se dedicava à arte do cartoon. Enquanto a personagem ganhava fama, surgiam alguns dissabores, muitos deles mostrando ser benéficos. Exemplo disso foi o facto de a publicação ser banida do jornal das Forças Armadas dos E.U.A. (Stars & Stripes) em 1954, por ser considerada subversiva. Acabou por ser uma alavanca que catapultou Zero na escala de popularidade. A censura mostrou ser um bom veículo de promoção.Ao longo dos anos o “Quartel Swampy” foi palco das mais variadas críticas ao povo dos states, ilustrando factos, sempre com uma forte componente social e tentativa de mudança de mentalidades. Walker introduziu, nos anos 70, o primeiro personagem negro na história da série e, na década de 90, o primeiro asiático. Tanto um como o outro, nas épocas em que foram inseridos, voltaram a causar burburinho pelo país fora (E.U.A.), levando a boicotes nos vários jornais onde diariamente as tiras eram publicadas. O forte impacto que Zero produzia nas pessoas era tal, que acabava sempre por mostrar ao povo muita da hipocrisia vivida no exército, sendo que Walker se inspirou em pessoas e factos reais para as personagens e acontecimentos do Quartel Swampy, tendo o próprio servido no exército durante quatro anos enquanto jovem. É possível afirmar que a “vidinha mais ou menos” do Quartel Swampy influenciou e despertou muitas mentalidades, mostrando que o quotidiano de todos nós já teve momentos idênticos.
Pouco mais haverá para dizer de Zero, Tainha, General Dureza, Dentinho e companhia (todos nomes brasileiros, pois ainda hoje o que chega a Portugal sobre Beetle Bailey é traduzido para português do Brasil; caso contrário penso que só neste séc. XXI o Recruta Zero teria chegado à cauda da Europa…), a não ser o seu evidente sucesso e reconhecimento no virar deste novo milénio.
Em jeito de nota e a saber, Zero circula hoje em dia em mais de 1800 jornais, em cerca de 50 países e é lido por mais de 200 milhões de pessoas diariamente (eu sou um deles). Sobre o autor de Beetle Bailey, Mort Walker, ele fundou o “Museum of Cartoon Art”, o primeiro museu dedicado à preservação e dignificação da arte dos comics. Actualmente é conhecido como “The National Cartoon Museum”.
Walker publicou vários livros sobre a personagem. Alguns dos mais famosos são “50 Years of Beetle Bailey” (2000), “Beetle Bailey Celebration” (2005), “The Best of Beetle Bailey” (2005), todos eles no seu original e, pela mão da Opera Graphica do Brasil, “Recruta Zero”, uma compilação com o melhor da personagem desde os primórdios dos anos 50, fazendo uma abordagem evolutiva durante as décadas seguintes até aos anos 90. Em relação a este último, como pude comprovar o seu verdadeiro interesse e valor, é realmente uma boa leitura para aqueles que desejam conhecer Zero ou simplesmente recordá-lo, pois a obra compila o melhor de sempre Beetle Bailey. Nos dias que correm, alguns dos filhos de Walker já assumiram a continuidade de Zero, com principal destaque para Greg Walker que juntamente com o pai assina por baixo de cada tira cómica. O legado está garantido, para bem da história do cartoon e da Banda Desenhada. Fica uma das frases míticas do Recruta mais calão da história: “Sempre que sinto vontade de trabalhar, me deito e espero ela passar”.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

BDesenhada.com de Parabéns!


Após um ano no activo, o site BDesenhada.com está de parabéns e recomenda-se. Comemorando o seu primeiro (de muitos, espero) aniversário, este é um site obrigatório sobre o tema da 9ª arte, onde o cibernauta poderá consultar as notícias mais recentes do panorama bedéfilo, quer sejam nacionais ou internacionais, lançamentos de livros, entrevistas, as mais variadas colunas (eu sou responsável por 2 delas), críticas, um espaço dedicado aos fãs do género e muitas outras iniciativas, sempre com uma capacidade de actualização notável.
É sem dúvida alguma o site mais completo sobre Banda Desenhada em Portugal, sendo por isso, local de consulta obrigatória para todo o entusiasta do universo da 9ª arte; diria mesmo que é aconselhável consultá-lo diariamente. É em jeito de homenagem prestada que redigi este pequeno texto, visto que iniciativas destas não surgem senão devido à enorme teimosia de uns quantos loucos, que sem que nada a ganhar dedicam horas do seu tempo a um nobre ideal como este. Mais houvessem. Fica o meu agradecimento a todos os que participam deste projecto, mas principalmente ao "enanenes", que se tem mostrado um compincha, um paladino que incessantemente luta para o sucesso e sobrevivência de um sítio que todos nós compreendemos ser fundamental e necessário. O ideal, esse é nobre. Para o ano estamos cá de novo.
Até lá, boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

segunda-feira, março 19, 2007

Históricos do 9ª #1: RECRUTA ZERO (Beetle Bailey) [pré-publicação]


Como sucedeu com Conan, o primeiro histórico a figurar neste blog, o próximo eleito surge em jeito pré-publicação no 9ª Arte, de forma a dar a conhecer aos amantes do género quem será o próximo visado neste tema que procura mostrar como figuras que fazem parte da história dos quadradinhos, podem por vezes surgir de outros campos que não a BD, embora seja fundamental que exista essa ligação com a arte da Banda Desenhada, ou não haveria sentido nisto tudo. Fica prometido ainda para esta semana, um texto exclusivo sobre a personagem Recruta Zero, o segundo "herói" desta rubrica.
Até lá, boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

domingo, março 18, 2007

quinta-feira, março 01, 2007

Capas do 9ª #6 - PIRATES OF CONEY ISLAND #1

Capa de: Vasilis Lolos


Misturando pop, punk e rock, temos a onda dos anos oitenta, pura e dura. Adicionando tonalidades rosa, uma boa dose de azuis, mexendo bem com amarelos, uma vasta gama de ocres, laranjas e afins, temos como resultado final o espírito de “Pirates of Coney Island”. Nesta capa energética, podemos contemplar a personalidade eléctrica do personagem punk principal, pela forma como este, de guitarra em punho, salta vigorosamente, qual estrela rock em plena acção. Neste mundo à parte, “convivem” juntos punks, gangsters mafiosos e mais alguns tipos de “aves raras” que, todos mesclados formam um caldeirão de irreverência, criminalidade e negócios manhosos, sem que falte porrada com fartura, sangue e umas quantas cabeças a rolar. Dito isto, o que esperar de uma série que explora uma realidade que muitas das vezes nos passa despercebida e desinteressada? Nada melhor que ler a série, pois procuro debruçar-me sobre esta capa inaugural. Jogando com cores quentes e frias, este primeiro número procura cativar os mais curiosos a entrarem em Coney Island. Cião e magenta fazem uma combinação perfeita, onde pequenas faíscas de amarelados dão o toque quente à composição, que aproveita o contraste entre preto e branco para dar mais profundidade, e ao mesmo tempo leveza, ao conjunto de elementos que figuram no papel (ou neste caso, no ecrã). Quanto ao espírito pirata, podemos encontrá-lo no logo da série, onde a palavra “Pirates” surge sobre um fundo negro, fazendo lembrar o estandarte tipicamente pirata; na pala que tapa o olho da personagem; na despreocupação punk que vai contra a maneira de estar da sociedade, funcionando como ponte de ligação com o passado, quando mercenários navegavam por mares e oceanos sem leis que os preocupassem ou tirassem o sono.
Mas existe ainda a realidade dos gangs, que assolam esta ilha. No carro que surge vindo do fundo, a matrícula espelha a maneira de actuar desses grupos criminosos: “KILL”. Mais explícito não podia ser.
Como em qualquer realidade mundana, os verdadeiros punks movimentam-se quase como uma matilha, pilhando, retraçando e extorquindo o que o mundo lhes dá. E quando esse grupo é totalmente feminino... temos o resultado na capa escolhida por mim, nesta sétima edição da rubrica “Capas do 9ª”.
Uma forma geométrica que faz lembrar um triângulo invertido, símbolo da feminilidade, surge no topo e ao centro da página. E quando a cor utilizada nessa forma é o magenta, aconselho-vos: cuidado com as moças, pois elas são as matriarcas: “Well, welcome to to the jungle, baby”. Por fim, o raio, que mais não faz do que reforçar o conceito de energia e irreverência. O cocktail está pronto a ser servido. Apreciem.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

Star Wars: ROYAL GUARD


No início desta semana, boas foram as noticias vindas de uma galáxia “(…) far, far away”. Tinha chegado a estatueta “Royal Guard”, da Gentle Giant, e estava pronta a ser levantada. Elegância é sem dúvida o melhor termo que encontro para classificar esta peça. A postura, a firmeza e o leve toque de movimento dado nas vestes deste membro da Guarda Real do Imperador, transmitem-nos uma harmonia extrema, apenas atingível pelos mais dedicados, disciplinados, inteligentes e leais. Ao mesmo tempo, eram mortíferos se o momento assim o ditasse. Estes membros faziam parte da guarda de elite que acompanhava o soberano da galáxia em qualquer circunstância.
Afirmo-vos que os pormenores são preciosos, fazendo deste exemplar uma bela adição à vossa colecção Star Wars.
“Estou maravilhado!”


Mauro Bex : maurobindo

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Cartoon Xira´07


A exposição anual de cartoons está de volta a Vila Franca de Xira. Patente no Celeiro da Patriarcal de 24 de Fevereiro a 25 de Março, conta com a presença, como é hábito, do cartoonista português de maior renome António, e ainda, com Cid e Maia. No espaço destinado para o evento, podem admirar o trabalho destes três senhores produzido durante o ano de 2006 e, visitar a exposição paralela de Brito “Um Mundo às Avessas”, sempre com o cartoon como género artístico adoptado. É importante mencionar que as entradas são grátis. Vila Franca de Xira fica a apenas 25km de Lisboa e nem os mais preguiçosos têm desculpa para perder esta exposição anual que contempla muito do trabalho publicado nacional e internacionalmente na imprensa que aposta no cartoon como forma de comunicação. A não perder.


Mauro Bex : maurobindo

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Fantastic 4: Rise of The Silver Surfer (cartaz)


Meus amigos, agora sim, o surfista em todo o seu esplendor! Já me estou a babar. Lindo não?!

Site Oficial


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Labirinto do Fauno (Pan´s Labyrinth)

Vencedor de 3 Oscars no passado Domingo, o filme de Guillermo Del Toro está a causar muita ansiedade entre os admiradores do género. Quem foi ao Fantas já o viu. Eu, tenho de esperar mais um tempinho. Fica o cartaz da Comic-Con.



Site Oficial


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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Annihilation (parte1)

Enquanto muita gente anda perdida (eu incluído) na maldita Civil War, outro evento mais interessante vai-se desenvolvendo, estando muito próximo do seu término. Falo mais concretamente de Annihilation, que a meu ver, é bastante superior à Civil War (CW). A Marvel apostou forte em CW, fê-lo um dos eventos da sua história e todos os leitores habituais da casa das ideias foram atrás da tamanha expectativa criada à volta deste acontecimento. Novamente a história dá-nos razão. Expectativas a mais costumam sair furadas e foi o que sucedeu. Enquanto isso, Annihilation ia ganhando forma, consistência, qualidade e pouco interesse (comparando com CW). Que bom que assim é. Apenas comparei estes dois eventos por acompanhá-los, tendo largado temporariamente CW ao fim de poucos números e, contrariamente, ter esperado ansiosamente por cada título de Annihilation, aguardando o final de cada mês para dedicar o meu tempo à sua leitura. Só queria que não terminasse. Mas tudo tem o seu fim e Annihilation não é excepção. Avançando, o evento em análise pode ser dividido em duas fases, a primeira das quais é hoje abordada neste blogue. A fase inicial retrata o começo da onda de destruição que rompeu da zona negativa até ao restante Universo que conhecemos (o Universo da Marvel), aniquilando tudo à sua passagem. Annihilus tem um sonho de conquista (qual Napoleão moderno) que passa por absorver toda a energia que advém de tanta destruição, tornando-o no ser mais poderoso alguma vez visto (sim, a ambição é tanta que o próprio Galactus vai ver a sua vida andar para trás). Annihilus, escusado será dizer, é o mau da fita. Esta onda de destruição causa o seu primeiro cataclismo no planeta Xandar, morada da força de paz universal conhecida como Nova Corps, incinerando-o (quase) na sua totalidade. Existe sempre alguém que sobrevive a tais catástrofes e neste caso os sortudos são Nova, Drax e Camy. É neste momento que o enredo começa a ganhar forma. A Marvel aproveita quatro minisséries para dar corpo ao acontecimento, entrelaçando as vidas de Silver Surfer, Super Skrull, Nova e Ronan, dando desta forma um toque bem interessante, criativo e nada confuso (atente-se ao oposto em CW, pela quantidade de gente que o evento implica) à estória, enriquecendo-a com pormenores únicos e intrínsecos a cada uma das personagens, dando consistência ao enredo e a todo o desenvolvimento que daí advém. Não tenho como propósito dissertar longamente sobre cada um destes famosos, pois existe muita informação a registar. O essencial a manter é o real interesse que Annihilation tem, perceber que todos os envolvidos têm um papel fundamental nos acontecimentos, e que, apesar das diferenças evidentes entre cada uma das personagens principais, todas as suas estórias convergem para um único sentido, o de acabar com esta onda de devastação que ameaça exterminar mundos e raças. Não é exagerado, é apenas a realidade desta série. Curioso, é constatar que ao longo dos 12 números iniciais me surpreendi inúmeras vezes (muitas mesmo) com as voltas que a narrativa ia dando. Penso ser um bom sinal da escolha que foi feita, no que diz respeito aos membros das equipas criativas. Apesar das diferenças visíveis entre figuras principais, a exploração das suas emoções, os nervos à flor da pele, as opções tomadas e acções efectuadas vincam muito bem a personalidade de cada um dos intervenientes. É este toque pessoal que figura em Annihilation, acrescentando valor à sua criação. Como nota de rodapé, fica o registo de que todas as capas de Annihilation foram desenhadas por Gabrielle Dell´Otto. É simplesmente o melhor conjunto de capas que vi até ao momento (chamem-me o que quiserem). Simplesmente fabulosas. Quanto à ponte que Annihilation tem com Civil War, não nos esqueçamos da altura em que tudo isto se gera e acontece. Enquanto na Terra reina o caos e fervilha acção, o Universo não está adormecido. Uma desgraça nunca vem só.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Leituras FDS #2 - Salazar: Agora, na hora da sua morte


Para este fim-de-semana, recomendo a leitura desta obra fundamental. Da autoria de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, "Salazar: Agora, na hora da sua morte" é, quanto a mim, o título de Banda Desenhada portuguesa do ano de 2006. Os prémios no FIBDA´06 assim o ditaram, ajudando à sua projecção e divulgação. Não pretendo alargar-me em análises, pois já muitos o fizerem a seu devido tempo. Como tal, deixo-vos uma dessas análises publicada num dos melhores blogues de BD nacional, o Ler BD. Fica o link. Não percam esta excelente oportunidade de leitura, numa das obras mais bem conseguidas dos últimos tempos. Uma óptima companhia a propósito da história do nosso Portugal.
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

PIC(K) OF THE WEEK #12


John Buscema: Silver Surfer


Mauro Bex : maurobindo